Publicado em 19/06/2011 02:00  -  Atualizado em 19/06/2011 02:00

A cidade linda e perdida

Luiz Fernando Cardoso

As cinzas do vulcão chileno têm cancelado voos, desde o início do mês, para várias cidades na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, afetando badalados destinos turísticos de inverno, inclusive Bariloche. Para quem terá de deixar o esqui com chocolate quente para outra oportunidade, mas não abre mão da viagem internacional nas férias, Machu Picchu (Peru) é uma boa opção.

O principal argumento em favor da Cidade Perdida dos Incas é o custo da viagem. Certamente, um pacote de última hora para o principal destino turístico do Peru sai mais em conta do que uma viagem programada para Bariloche. Ser um dos cerca de 500 mil turistas que visitam Machu Picchu, por ano, é mais barato do que partir de Maringá para desfrutar as praias do Nordeste brasileiro.

Outra vantagem é a paz de espírito e o cenário paradisíaco do alto da "velha montanha" (Machu Pikchu, em quínchua, língua indígena local), que não foi atingida pelas nuvens do vulcão chileno. Machu Picchu não tem neve, como Bariloche, mas tem uma paisagem capaz de arrancar de muitos turistas, quando questionados sobre a experiência, a seguinte frase: "ainda que eu pudesse explicar, você não conseguiria entender".

Mais um argumento em favor de Machu Picchu: a infraestrutura. Em 24 de julho deste ano, Machu Picchu comemora um século de sua descoberta científica e nunca antes o sítio arqueológico esteve tão bem preparado para receber os turistas como agora.

Estive lá em dezembro de 2010, como mochileiro, e posso garantir: é o maior barato, em mais de um sentido da palavra. Em dez dias no Peru, quatro deles na altitude, gastei ao todo US$ 1.100 – incluindo passagens aéreas de São Paulo a Lima e da capital peruana até Cusco, principal ponto de partida para Machu Picchu.

A dica é assegurar as passagens para Lima com, pelo menos, um mês de antecedência. Fiz a compra em um site de viagens, mas o auxílio de um agente de viagens é recomendado, especialmente, para "marinheiros" de primeira viagem. Se puder, deixe para comprar no Peru o pacote para Machu Picchu.

Com menos atravessadores, a viagem sai mais em conta.
Voos diários partem das capitais Lima (Peru) e La Paz (Bolívia) para o Aeroporto Internacional Velasco Astete, em Cusco. Ao chegar, beba chá de coca e repouse por algumas horas no hotel. Por teimosia, não segui essa recomendação e senti os efeitos do "soroche", isto é, o mal das alturas.

Em altitudes acima de três mil metros o ar rarefeito exige do corpo um período de adaptação. Senti tonturas e dor de cabeça, durante todo o primeiro dia, e vi alguns outros estrangeiros em situação pior: com vômitos. Os sintomas são amenizados ao mascar folhas de coca ou beber o chá da erva sem moderação.

Depois de sentir na pele o mal das alturas, não tornarei a questionar o rendimento dos jogadores brasileiros quando esses enfrentam times bolivianos na altitude de
La Paz.

Há muito o que visitar na altitude de Cusco. A antiga capital do Império Inca é repleta de construções, feitas com grandes blocos de pedra, resistentes a terremotos. Imponentes igrejas católicas foram erguidas na cidade e ficam abertas à visitação.

Arquivo Pessoal

Paisagem única é capaz de arrancar de muitos turistas, quando questionados sobre a experiência, a seguinte frase: "ainda que eu pudesse explicar, você não conseguiria entender"

Quem vai com tempo, pode visitar o Vale Sagrado dos Incas e conhecer melhor uma das culturas indígenas mais avançadas de seu tempo. Os incas, é bom lembrar, tinham conhecimentos de astronomia, agronomia, matemática e engenharia tão ou mais sofisticados que os europeus, na época do "descobrimento" da América.

O acesso a Machu Picchu é feito de trem e ônibus. A companhia de trens Peru Rail faz a rota de Cusco até o vilarejo de Águas Calientes, em viagem de quatro horas em meio a belíssimas montanhas.

Do vilarejo, micro-ônibus levam os turistas das margens do Rio Urubamba, afluente do Amazonas, até o topo da montanha sagrada. Uma viagem de meia hora, na íngreme e perigosa rodovia Hiram Bingham – que leva o nome do cientista norte-americano que descobriu Machu Picchu.

A estação de seca, a mais favorável para conhecer Machu Picchu, começou em maio e vai até novembro. No inverno, o ideal é ir bem agasalhado. As temperaturas podem chegar a 2 graus em Águas Calientes e facilmente baixar de zero em Cusco. Em dezembro, quando devia fazer calor, peguei dez graus na região.

Para terminar, duas dicas. Primeiro: se for sozinho, compre um bom guia de turismo sobre o Peru. Segundo, reserve dois dias para Machu Picchu e pernoite em Águas Calientes.

Assim, é possível ser um dos 200 primeiros a chegar à cidade sagrada e, com isso, ter direito a percorrer a trilha de 40 minutos até o topo de Waynapicchu, a montanha mais fotografada de Machu Picchu. Esse é um daqueles detalhes que não constam dos guias.

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