Vanda Munhoz
Os nutricionistas traduzem a gula como a busca incontrolável do prazer no comer e no beber. Por outro lado, há os transtornos alimentares, que são patologias e requerem cuidados médicos e muita atenção da família. "Qualquer pessoa está sujeita à gula, isso envolve fatores sociais, mas não chega a ser uma doença", diz a nutricionista Erika Maeda.
Ela explica que, diferente dos transtornos alimentares, a pessoa tem consciência da gula (comer compulsivo). "E sabe que está exagerando, mas não chega a fazer mal ao organismo porque é eventual".
Ricardo Lopes
Gula não é doença, é um dos pecados capitais
Às vezes, o prato predileto leva a pessoa a comer além daquilo que precisa, depois vem a consciência pesada", diz Erika, aconselhando que a melhor arma contra a gula é a temperança e o equilíbrio."É preciso saber o que é necessário para o organismo e qual a hora de parar também", aconselha.
O transtorno alimentar é outro problema relacionado à alimentação e se manifesta de diferentes maneiras, sendo que as mais comuns são a anorexia e a bulimia. "A anorexia é identificada com mais facilidade e tem como característica principal a intensa perda de peso. Além disso, é induzida pela pessoa através de dietas rigorosas e traz consequências para a saúde, problemas psicológicos e sociais", explica Erika.
A bulimia, segundo a nutricionista, é mais difícil de ser identificada. "Muitas vezes, a pessoa não perde peso, ela tem medo de engordar e usa o método compensatório. A principal característica da bulimia é comer muito, exageradamente e depois se arrepender. Para se livrar desse arrependimento, a pessoa provoca vômitos ou usa medicamentos, como laxantes e diuréticos", explica.
Os dois tipos de transtorno alimentar, anorexia e bulimia, se manifestam com mais frequência em adolescentes e adultos jovens do sexo feminino.
O exagero na alimentação é encarado pelo paciente como um sentimento negativo de tristeza, solidão, perda e frustração. "O tratamento, tanto na bulimia quanto na anorexia, requer acompanhamento médico. Em casos graves, é preciso internação e medicamento.
É imprescindível também um acompanhamento multidisciplinar, com psicólogos e nutricionistas que indicam uma dieta saudável", explica Erika. Alimentos, como a banana, abacate, arroz, feijão e castanhas, estimulam a produção de hormônios, especialmente a serotonina, que é o hormônio do prazer.
A bulimia e a anorexia estão baseadas na imagem que os pacientes têm de si, geralmente se acham acima do peso. "Muitas vezes, a pessoa não quer ajuda, ela própria não admite para si mesma que precisa de tratamento", diz a nutricionista. O tratamento desses males, além de acompanhamento médico, prescinde do apoio da família, um elemento importante para o paciente se sentir estimulado a buscar a cura.