Publicado em 27/11/2013 02:00  -  Atualizado em 27/11/2013 02:00

Morango é alternativa em Marialva

Luiz de Carvalho

Emater está divulgando cultura entre os pequenos proprietários rurais do município
Previsão é que 30 iniciem a construção de estufas para produção de semi-hidropônico

Produzindo sempre em torno de 20 mil quilos das variedades benitaka e rubi a cada safra de verão, o viticultor Roberlei Martins de Faria nem de longe pensa em abandonar a produção de uva, mas foi o primeiro agricultor de Marialva a se decidir pela produção de morango pelo sistema semi-hidropônico que a Emater está divulgando como alternativa para pequenos proprietários rurais do município.

Faria já fez um financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), realizou todos os estudos, buscou apoio técnico e nos próximos dias inicia a construção de uma estufa de 960 metros quadrados, onde vai plantar 7 mil pés de morango. O que sobrar da estufa será destinado ao cultivo de hortaliças. "Depois vamos nos concentrar no que der melhor resultado", diz.

Roberlei Farias é um das dezenas de produtores de uva que nos últimos dias foram ao escritório da Emater de Marialva para conversar com o engenheiro agrônomo Nilson Zacarias Bernabé Ferreira, que esteve no Rio Grande do Sul para conhecer o morango cultivado em estufas e com irrigação controlada, tecnologia já utilizada em larga escala em países europeus e ultimamente responsável por mais da metade de toda a produção de morangos da Serra Gaúcha, região que mais produz a fruta no Brasil.

"O produtor de Marialva está procurando alternativas para diversificar a produção e o morango semi-hidropônico surge como uma excelente alternativa", diz o agricultor, "primeiro porque não toma muito espaço e possibilita ao produtor ganhar com o morango sem precisar deixar a produção de uva, que é o carro-chefe da agricultura familiar na região".

De acordo com o agrônomo, a estufa protege a planta da chuva, vento, frio, calor, mantém um microclima adequado para a produção de frutos saudáveis. A estrutura reduz também a ocorrência de pragas, o que possibilita minimizar a aplicação de agrotóxicos, facilitando práticas culturais como o controle biológico.

Entre as vantagens que Nilson Bernabé percebeu na Serra Gaúcha está a possibilidade de uma produção praticamente o ano inteiro e em quantidades bem acima das alcançadas pelo plantio convencional.

"Em uma estufa de 250 metros quadrados coloca-se cerca de 3,4 mil plantas, cada uma produzindo uma média de 1 quilo por ano e a grande vantagem é que a mesma planta vai produzir por três anos seguidos".

Mercado
O morango semi-hidropônico é plantado no interior de estufas, em jiraus de cerca de 1 metro de altura, em sacos plásticos onde é colocado um substrato que tem por base palha de arroz carbonizado. A irrigação automática é feita por meio de um sistema de mangueiras.

"O agricultor poderá trabalhar em pé, o que é mais saudável, e pelo fato de as raízes ficarem a um metro do chão não há o risco da presença de certos animais e insetos, principalmente caramujos e formigas", diz o técnico da Emater.

A Emater de Marialva prevê que mais de 30 agricultores familiares de Marialva iniciarão a construção de estufas para produzir morango semi-hidropônico nos primeiros dias de janeiro e o plantio deverá acontecer em abril, quando chegam as mudas encomendadas no Chile.

A planta poderá dar a primeira colheita 60 dias depois, aproximadamente. "A questão agora é a abertura de um mercado para o morango produzido na região de Maringá", afirmou o agrônomo.

CUSTO
12.000 reais é o gasto com a construção de estufa, jiraus, sacolas, substrato e mudas e o Pronaf financia R$ 10 mil com juros de 1% ao ano


PLANO. Ferreira: incentivo ao morango. -FOTO: DOUGLAS MARÇAL

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