Edmundo Pacheco
Quem transita pelos bairros de Maringá tem a impressão de estar numa terra sem leis. Avenidas largas, sem radares ou agentes de trânsito, levam os motoristas a se esquecer do Código Brasileiro de Trânsito (CBT).
Adultos e crianças em carrocerias de caminhões e caminhonetes, motociclistas sem capacete - inclusive com criança na moto também sem o equipamento -, crianças pequenas no banco da frente sem cinto ou cadeirinha, pessoas dirigindo com cachorro no colo, comendo lanches e inúmeras outras infrações podem ser vistas por qualquer observador que pare por alguns minutos num cruzamento. O uso do celular é corriqueiro.
A infração mais comum, entretanto, é o desrespeito ao artigo 65 do CBT. O artigo determina a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e estabelece multa de R$ 127,69 para quem for flagrado dirigindo sem o equipamento afivelado. O uso do cinto é ainda obrigatório para todos os passageiros e a multa é multiplicada por quantas pessoas estiverem sem cinto no veículo.
Arquivo DNP
Trânsito na Avenida Brasil; nem vias de alto fluxo intimidam infratores
Para verificar a utilização do equipamento nos bairros, a reportagem de O Diário fez observações em cinco pontos da cidade, na quinta e na sexta-feira desta semana. Em cada bairro, três da zona norte e dois da zona sul, foi feita a contagem apenas do número de motoristas que transitavam sem o cinto, com os vidros abaixados. A reportagem desprezou passageiros sem o equipamento, além de outras infrações - e ainda assim a contagem foi alarmante.
Em 50 minutos de observação - 10 minutos em cada bairro - foram contados 180 motoristas dirigindo em desrespeito à lei. Se fossem aplicadas multas, teria sido possível arrecadar R$ 22.984,20, o equivalente a R$ 460 por minuto.
Uma projeção rápida indica que com agentes e talões de multas em número suficiente, a Secretaria Municipal dos Transportes poderia arrecadar R$ 662 mil por dia. Algo em torno de R$ 20 milhões por mês, o que representa o dobro do total arrecadado pela Setran em todo o ano de 2011 - foram aplicadas 139 mil multas e recebidos R$ 10 milhões, segundo dados da prefeitura.
R$ 30 bilhões
É o custo socioeconômico
anual do País com acidentes
de trânsito
O problema, admite o secretário Valdir Pignata, "é muito grave" e praticamente insolúvel. O próprio secretário confessa já ter feito a experiência e constatado o alto número de infrações cometidas por motoristas e motociclistas. "Dia destes, como cidadão, fiz esta observação no quebra-molas da Avenida são Paulo, esquina com a Floriano Peixoto. Pelo que contei, de cada dez motoristas, quatro dirigiam sem o cinto."
Para Pignata, é humanamente impossível para o município fiscalizar todos os pontos da cidade, o tempo todo. "Se fossemos seguir à risca, teríamos que colocar dois ou três agentes em cada uma das esquinas da cidade. Não tem como fazer isso. A solução é a conscientização dos motoristas. As pessoas precisam mudar o comportamento, entender que as leis de trânsito foram feitas para sua proteção, e não para serem desafiadas."
"O cinto de segurança é um dispositivo de prevenção de danos físicos ao condutor do veículo. É uma ferramenta simples, fácil de ser utilizada e que serve para proteger a vida e diminuir as consequências dos acidentes de trânsito. Ele impede, em casos de colisão, que o corpo se choque contra o volante, painel e para brisas, ou que o motorista seja projetado para fora do carro", lembra Pignata.
CASO A CASO
Local: Jardim Pinheiro -entroncamento
das avenidas Dr. Alexandre Rasgulaeff
com Tuiuti
Horário: das 17h22 às 17h32
Total de motoristas sem cinto: 56
Observações: A maioria dos motoristas
que não usavam o cinto estava
acompanhada, e os passageiros também
estavam sem o equipamento;
Em alguns casos, apenas os passageiros
estavam sem o equipamentos, inclusive
no banco da frente;
Duas mulheres dirigiam com crianças
pequenas no banco da frente, sem cinto
ou cadeirinha;
Uma motorista trafegava sem cinto com
o cachorro no colo; quase 100% dos
motociclistas estavam com a viseira
levantada.
Local: Jardim Monte Carlo - Avenida
Mandacaru, entre o Tiro de Guerra e a
Delegacia de Polícia
Horário: das 14h05 às 14h15
Total de motoristas sem cinto: 40
Observações: A maioria dos motoristas
que trafegam neste trecho, o faz com os
vidros levantados e não é possível
verificar o uso do equipamento. A
maioria dos motoristas flagrados eram
motoristas de caminhões, incluindo
quatro funcionários da Secretária de
Serviços Públicos (Semusp).
Local: Conjunto Ney
Braga – Avenida Alziro
Zarur
Horário: das 14h28 às
14h38
motoristas sem
cinto: 25
Observações: O número
é menor por causa do
fluxo de veículos, mas o
percentual de infrações
é maior que em outros
ponto de maior
movimento; Neste local
foram observados um
motorista da empresa
de transporte coletivo
e um da Secretaria de
Estado da Saúde sem
cinto.
Local: Parque Itaipu –
Rua Pioneiro Maurício
Mariani
Horário: 14h53 às 15h03
Motoristas sem
cinto: 26
Observações: Uma
mulher dirigia
acompanhada por
crianças no banco da
frente, todos sem cinto.
Local: Jardim
Higienópolis – Avenida
Nildo Ribeiro da Rocha
Horário: 15h11 às 15h21
motoristas sem
cinto: 33
Observações: A maioria
dos veículos trafega com
os vidros levantados e em
velocidade.