Publicado em 30/01/2011 02:00  -  Atualizado em 30/01/2011 02:00

Maria Tereza: marco da verticalização

Fábio Linjardi


Nelson Barbosa realizou um sonho de criança: morar no

Maria Tereza

São 50 anos de história desde a liberação do alvará para construção, que surpreendia pelo porte do empreendimento em comparação com o cenário da época. Em 1961, Maringá contava com pouco menos de 50 mil moradores na zona urbana, quando a Prefeitura autorizou o início das obras do Edifício Maria Tereza, com 15 andares e 91 apartamentos, na Avenida Getúlio Vargas, totalizando 12 mil metros quadrados.

A localização fez com que o prédio fosse frequentado pela alta classe da cidade nas primeiras décadas. O vaivém de pessoas bem-sucedidas no hall enchia os olhos do então engraxate Nelson Barbosa, hoje com 56 anos, que posicionava a caixa bem em frente ao prédio.

Construção foi autorizada em 1961; são 15 andares e

91 apartamentos

Os demais engraxates riam quando o menino apontava o dedo cheio de graça para o prédio e dizia que ainda ia morar alí. "Era meu sonho de criança morar no Maria Tereza e ser gerente do Banestado", diz.

Hoje ele é gerente aposentado do banco e mora no 7º andar, com vista de frente para a Catedral. Mudou-se para o prédio há seis anos, deixando alugada uma casa espaçosa no Jardim América.

A área dos 91 apartamentos não é uniforme. Segundo os moradores são três tipos diferentes, incluindo três do tipo duplex (de dois andares). Também não há garagem para todos, são 68 vagas no estacionamento.


Novo perfil

A professora aposentada Cleni Koenen, 70, mudou para prédio em 1974 e diz que o perfil dos moradores mudou. "Era o prédio da elite. Algumas das pessoas mais importantes da época moravam aqui. Hoje o perfil decaiu muito, acho que por causa do valor. O condomínio é barato e o preço do apartamento não é dos mais caros se você comparar com o Centro", diz. Ela mora no 10º andar e paga R$ 196 de condomínio.

Somada a vaga na garagem, são 90 metros quadrados de área útil. "Uma vizinha que morava no 7º andar tinha um apartamento do tamanho do meu. Vendeu por R$ 150 mil no ano passado", compara dona Cleni, que não pretende se desfazer do imóvel.

"Pode ser um prédio velho, mas a estrutura é garantida, não se fazem mais hoje como se fazia antigamente. Outro dia veio um pedreiro aqui e sofreu para quebrar a parede do banheiro", conta a moradora.


O primeiro

O Maria Tereza marca o início da verticalização em Maringá. Um levantamento que consta da dissertação de mestrado do geógrafo Ricardo Luiz Twös mostra que o edifício foi a primeira obra com mais de três pavimentos registrada pela Prefeitura.

Outros 11 empreendimentos desse tipo tiveram o alvará liberados nos anos 60. Entre eles o Três Marias, também na Getúlio Vargas, com dez andares que teve o alvará de construção expedido em 1962, mesmo ano do prédio do Cine Plaza, com cinco andares. O maior edifício que teve a construção iniciada naquela década foi o Herman Lundgren, em 1964, na Travessa Guilherme de Almeida, com 15 andares.

Solidez
"Pode ser um prédio velho, mas a
estrutura é garantida, não se fazem
mais como se fazia antigamente"
Cleni Koenen
Moradora
Entre os moradores mais antigos do Maria Tereza, consta que apesar de ter saído na frente, o prédio não foi o primeiro a ser habitado na cidade. O Edifício Rosa, na Avenida Brasil, liberado para construção em 1964, ficou pronto antes, com sete andares. Ao final de 2008, data em que foi encerrado o levantamento de Twös, Maringá contava com 1.005 edifícios, entre comerciais e residenciais.

Em uma cidade pacata, com terrenos grandes e espaço de sobra, foi difícil convencer os primeiros compradores de trocar o quintal pela sacada. O arquiteto Hélio Moreira Júnior, filho do empresário que concluiu a obra, lembra do que o pai passou.

"Ele comprou o prédio de uma empresa de Londrina, que tinha parado a construção. E no começo pouca gente queria morar em um apartamento. Foi uma atitude inovadora, que demandou enorme esforço naquela época", recorda.

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