Betânia Rodrigues, especial para odiário.com
O prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), durante o Carnaval, aproveitou o seu perfil no twitter (@barbosaneto_ldb) para atacar as pessoas que querem a revogação das chamadas Leis da Muralha, que restringem a implantação de hipermercados e de grandes lojas de materiais de construção em um perímetro urbano traçado na área central da cidade. Para o prefeito, existe interesse financeiro atrás dos discursos que não se baseiam na razão.
Barbosa Neto não citou nomes. No entanto, em diversas postagens, disse que imobiliaristas inescrupolosos, interessados somente no lucro fácil, que hoje criticam as Leis da Muralha, no passado apadrinharam a elaboração das leis em seus escritórios.
Entre as postagens de segunda-feira (20) e terça-feira (21), o prefeito disse que vai invocar o Estatuto das Cidades e o direito discricionário do Poder Executivo que tem obrigação de preservar a qualidade de vida e não o lucro. "O maior lucro que o Estado deve preservar é o ambiental e social que Londrina conseguiu até aqui. Não pode se curvar ao poder econômico", enfatizou.
Ele também disse que não se pode fazer um discurso maniqueísta de simplesmente ser a favor ou contra as Leis da Muralha. "Lamento apenas a ignorância de alguns que se deixam levar por formadores de opinião que têm muitos $ motivos pra justificar seus interesses!", setenciou.
Sem citar nomes, ele também atacou o ex-prefeito Nedson Micheletti (PT), cuja administração foram homologadas as Leis da Muralha, dizendo que "ao contrário dos que criaram a Lei da Muralha, que tinham vergonha de defendê-la, eu a defendo às claras num debate aberto com especialistas".
Fogo cruzado
O vereador Roberto Fú (PDT), que faz parte da base aliada na Câmara Municipal e que tem defendido a revogação das leis, não se sentiu incomodado com a série de postagens feitas por Barbosa Neto.
Fú, que já foi líder do Executivo na Câmara de Londrina, é autor do projeto de lei 161/2011 que revoga integralmente as Leis da Muralha (9869/2005 e 10.092/2006). Segundo ele, ambas são inconstitucionais por restringirem a livre concorrência ao impedirem a entrada de hipermercados e home centers de material de construção em quase toda a cidade.
"Eu e o prefeito continuamos no mesmo partido, por vezes apoiamos os mesmos projetos, mas, neste caso, pensamos diferente. Concordo que ele tenha outra opinião. É direito dele. No entanto, isto não altera minha forma de pensar e meus objetivos", afirmou o vereador.
"A única correção que faço ao prefeito relaciona-se ao número de hipermercados existentes na cidade. Ele falou em 45 empreendimentos nos últimos sete anos, mas isto é um equívoco. Nem Curitiba, que é capital do nosso Estado, possui tantos hipermercados assim", cometou.
Conhecido representante comunitário da Zona Sul de Londrina, o vereador cita seu padrão de vida humilde e o círculo de amizades com trabalhadores da região para rebater qualquer crítica acerca das suas verdadeiras intenções.
"É a primeira vez na vida que tenho contato com empresários de grande porte. E foram eles quem me procuraram ao saberem do meu projeto. Não tenho interesse financeiro com a derrubada das Leis da Muralha. Outro dia, por exemplo, fui convidado a participar de uma reunião na casa de um deles e confesso que fiquei constrangido ao entrar lá porque é um mundo muito diferente da minha realidade", comentou o petebista.
O vereador espera a volta de representantes do movimento Londrina Competitivo para reapresentar o projeto 161/2011 à Comissão de Justiça da Câmara. Considerando a recomendação do Ministério Público Estadual para a derrubada das leis e o apoio de entidades civis ao projeto, Fú acredita que conseguirá reduzir o quórum de votos para a derrubada do parecer contrário desta Comissão e levar o projeto adiante.