Alexandre Gaioto
Se Henrique Laurindo e Luciana Nozaki tivessem permanecido em Maringá, em vez de debandarem para Londres em 2002, os Tamborines seriam mais uma banda de fim de semana - longe, muito longe da trajetória de sucesso atingida no meio underground londrino. "Aqui, só dá para tocar pop rock e sertanejo", observa Henrique, guitarrista e vocalista dos Tamborines.
Os shows, ele imagina, rolariam, sim, nalgum bar de rock, com equipamentos de má qualidade, estrutura e condições precárias. "Se ficássemos em Maringá, não seríamos nada. Tocaríamos por diversão, no fim de semana, conciliando com algum emprego. Não há espaço para o rock alternativo", lamenta o músico.
Divulgação
Henrique Laurindo e Luciana Nozaki, dos Tamborines: "Se ficássemos em Maringá, não seríamos nada", diz o vocalista e guitarrista
Hoje, na UP Lounge, Henrique e Luciana impõem sua sonzeira numa apresentação em clima de férias, aproveitando uma pausa na maratona de shows pela Inglaterra. O baixo de Luis Costa será improvisado por Cris Bertold, integrante da maringaense Betty by Alone, banda responsável pela abertura da noite. "Será diferente das apresentações que fazemos pelo exterior. É mais para reunir os amigos, beber cerveja e fazer um som", diz.
O repertório será focado no álbum do trio, "Camera & Tremer", que traz canções próprias como "Come Together" e "Sally O’ Gannon".
Novo álbum
Mundo afora, os Tamborines já excursionaram pela Europa, EUA – onde lançaram EPs de forma independente –, e pretendem repetir a série de shows pela gringa neste ano. No Japão, o álbum "Camera & Tremer" saiu pela Vinyl Junkie. Com as portas abertas no cenário underground, o novo álbum do trio deve seguir o roteiro internacional. Batizado de "Octopus", o CD deve vir à tona em junho, reunindo de nove a doze canções.
"O álbum está mais leve, mais emocional. Ainda temos as referências dos anos oitenta, e nossas letras estão mais maduras", diz Henrique. Quem acompanha o som do grupo vai notar uma diferença, também, nas baquetas empunhadas, agora, por Luciana.
As bandas Tamborines
e Betty By Alone tocam
hoje, a partir das 23h,
na UP Lounge. Preço:
R$ 15, na livraria
Espaço (shopping
Maringá Park), Vaca
Louca Café e Badulaque
Com a saída do baterista há cerca de um ano e meio, bem no meio da turnê, ela abriu mão dos sintetizadores, piano e órgão, e aprendeu a tocar o instrumento às pressas, dando uma cara própria à batera. No palco, apenas uma caixa e o surdo. "Ficou peculiar. Mínima, a bateria deixa o som simples e direto", avisa Henrique.
A última passagem dos Tamborines por Maringá foi em 2007. O jeito, mesmo, é tocar rumo ao UP Lounge, ou esperar, sem pressa, pelas próximas férias dos integrantes por aqui. Ou embarcar para Londres, onde sempre há espaço para o rock alternativo. "Mas não vá achando que lá o rock dá dinheiro", adverte.
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