Agência Estado Luiz Carlos Merten
Pode não ser um fenômeno de massa, como ocorre com os blockbusters de Hollywood, mas o sucesso de "A Música Segundo Tom Jobim" está sendo uma das gratas surpresas deste começo de ano. Lançado em 20 salas do País, e beneficiando-se de uma projeção em digital que contempla o circuito de arte e as salas de grande público, o filme fez 27 mil espectadores na primeira semana e deve fechar a segunda na marca dos 50 mil. Produtor associado - pela Videofilmes -, Maurício Ramos acompanhou o processo de criação do longa. Ele admite que tinha suas dúvidas.
A própria codiretora Dora Jobim, neta do compositor, achara a proposta arriscada. Nelson Pereira dos Santos, o pai da criança, queria fazer seu documentário sem entrevistas e sem nem ao menos identificar os cantores que passam pela telas interpretando as canções de Tom. "Fui voto vencido.
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Tom: documentário sem entrevistas ou texto em off, só músicas
Achava que tinha de ter cartelas (legendas) de identificação, mas o Nelson dizia não, não e não. Sua ideia era fazer uma viagem sensorial pela música, uma coisa arriscada, mas o público embarcou", diz Ramos. "A identificação, no final, é muito interessante e os exibidores têm contribuído.
No Rio, eles não acendem as luzes e o público segue os créditos até o fim, em busca das informações. Eu, mesmo, quando comecei a ver montagens parciais do filme, já estava encantado. O público abraçou a causa no Rio, em São Paulo. Estamos muito felizes."
Casas cheias - e a produtora executiva Márcia Pereira dos Santos, da Regina Filmes, a empresa de Nelson, lembra que num documentário anterior, sobre Sérgio Buarque de Holanda (e "Raízes do Brasil"), ele já fazia essa viagem, que agora radicaliza, recusando-se a identificar, tintim por tintim (sem trocadilho com o filme de Steven Spielberg), as figuras em cena. Depois deste belo sucesso, Nelson, aos 83 anos, só precisa desencantar de novo na ficção.
As últimas que ele dirigiu não foram exatamente sucessos de público nem de crítica ("A Terceira Margem do Rio" e "Brasília 18%"). Nelson planeja agora uma ficção sobre Dom Pedro II.