Publicado em 11/11/2010 02:00  -  Atualizado em 11/11/2010 02:00

O barulho que ajuda a vender

Josi Costa

Divulgação

Em Sarandi, propaganda também se faz com carros de som

"Traz panela, traz bacia dona Maria. Temos melancia docinha, docinha...". "Pamonha, pamonha, pamonha, do puro milho da roça". Essas são frases bem populares que muitas pessoas trazem na memória quando o assunto em pauta é carro de som.

Antes, esse serviço era usado por ambulantes, muitos deles, de cidades vizinhas ou até mesmo de centros maiores em busca de consumidores de cidade pequena. Eles vendiam basicamente frutas e verduras e consertavam panelas de pressão.

O jeito antigo de fazer propaganda faz cada vez mais sucesso em Sarandi. Pelo serviço de som vende-se de tudo na cidade: da carne em promoção no supermercado ao baile que um clube da cidade vai promover no sábado à noite.

Se os aposentados não vão até o centro da cidade, não tem problema. O carro de som vai até o bairro, mesmo nas ruas sem asfalto, para tentar convencê-los a fazer um empréstimo consignado.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Sarandi (Acis), Orfeu Valdecir Casagrande, diz que essa forma de propaganda é bem antiga na cidade.

"São tantos que nem saberia te dizer", afirma, sobre o número de carros e motos de som que circulam nas ruas e avenidas de Sarandi. Casagrande diz que não é o meio mais barato para propagar o que se quer vender, porém, é um dos mais viáveis.

Prático e simples, o carro de som é uma mídia indiscreta e invasiva porque quem não se agrada não tem a opção de desligar. E essa é a ideia: fazer com que a população ouça e corra para a loja comprar.

O presidente da Acis diz que é um meio importante de propaganda na cidade, mas lembra que a poluição sonora é o "detalhe" que desagrada, principalmente quando eles rodam muito próximos um do outro. Por isso, uma lei regulamenta o funcionamento desses carros em horários comerciais.

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