Publicado em 11/09/2011 02:00  -  Atualizado em 11/09/2011 02:00

Juntos podemos salvar vidas

Talita Amaral

O número de mortes decorrentes de acidentes de trânsito em Maringá, registradas de janeiro até o dia 5 de agosto, caiu 17%, se comparado ao mesmo período de 2010. Neste ano, foram registradas 57 mortes e no ano passado, 69. A redução da violência no trânsito é um dos desafios da Secretaria Municipal de Transportes (Setran).

Além das ações rotineiras, a Setran planeja desenvolver várias ações durante a Semana Nacional de Trânsito, que tem início no dia 19 de setembro e segue até o dia 25 do mesmo mês, e terá como tema "Década de Ações de Segurança no Trânsito 2011-2020 – Juntos podemos salvar milhões de vidas".

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os principais pilares da campanha são: gestão nacional da segurança no trânsito, infraestrutura viária adequada, segurança dos veículos, comportamento e segurança dos usuários e atendimento ao trauma, assistência pré-hospitalar, hospitalar e a reabilitação.

Segundo o Contran, embora abrangente, o tema possibilitará que a sociedade civil organizada, órgãos e entidades trabalhem de forma objetiva e eficaz, atendendo às diversas demandas no sentido de promover a redução de acidentes.

Em Maringá, entre os dias 19 e 25, a Setran pretende promover blitzes educativas, panfletagem e palestras para conscientizar a sociedade.

Arquivo PMM

Blitze educativa realizada no entorno do Parque do Ingá e Bosque II. Ação fez parte do treinamento de novos agentes

Faixa de pedestre

A Setran também trabalha para a conscientização dos pedestres de fazer uso do direito de atravessar as vias com segurança, recusando-se a atravessar em locais não apropriados, sem sinalização, colocando em risco a própria vida; bem como dos motoristas, de dar preferência de passagem ao pedestre quando ele está na faixa.



"Quando falamos a respeito da faixa de pedestres, vamos além da responsabilidade do motorista de dar a passagem. É preciso que o pedestre redobre a atenção e estenda o braço para sinalizar a intenção de atravessar, que deve acontecer sobre a faixa", explicou.

"Já o motorista deve respeitar o limite de velocidade da via, assim ele conseguirá realizar a frenagem, se necessário, de forma segura e de preferência com antecedência. Isso dará mais segurança ao parar o veículo antes da faixa. Outro aspecto importante é estar atento à movimentação de veículos pelos espelhos retrovisores", acrescenta o secretário, lembrando que o motorista pode sinalizar a parada do veículo antes da faixa, acionando o pisca-alerta, e só deve colocar o carro em movimento quando o pedestre concluir a travessia da via.

Fiscalização

Para o analista de Trânsito Luis Miura, que já foi diretor da Setran, a cidade possui um bom sistema de trânsito, se comparada a outras cidades de mesmo porte. Entretanto, Miura observa que é necessário mais rigidez na fiscalização e punição das infrações de trânsito, bem como melhor comunicação e divulgação das campanhas aos usuários.

"Os órgãos públicos são os agentes fiscalizadores e têm o dever de não apenas educar, mas sim serem mais incisivos na forma de punir. Sem a punição, os usuários vão continuar infringindo as leis e assumindo comportamentos de riscos de acidentes", avalia

Miura acredita também que a forma como os casos de infração são comunicados pode fragilizar a fiscalização. "A impressão que se passa quando os casos são comunicados é de impunidade. Fala-se muito que o infrator não teve a intenção de matar, antes mesmo de ser julgado", exemplifica.

O analista também destaca os motociclistas como os principais infratores. "Sem os motociclistas, o número de acidentes poderia diminuir pela metade. Uma das piores infrações cometidas por eles são as manobras entre os carros, o que deveria ser fiscalizado e punido", avalia.

Apesar desses problemas evidentes, Miura classifica como bom o sistema de controle de velocidade e o respeito à faixa de pedestres. "Na questão do trânsito, Maringá está à frente de Curitiba, que é uma cidade considerada como referência nacional em muitos aspectos".

Em relação à frota de veículos, em constante crescimento, o analista explica que tal fato não pode ser considerado como ‘causa’ ou explicação para o aumento de acidentes.

"Um projeto realizado em Brasília, denominado Paz no Trânsito, comprovou que mesmo com o crescimento da frota pode-se perfeitamente controlar os casos de violência no trânsito", frisa. Para que isso aconteça é preciso que cada um faça a sua parte no trânsito nosso de cada dia. Respeitar o outro é valorizar a vida.

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